Do tédio fiz poesia
Pra, do tempo, virar coenzima
Que bizarro misturar
Minha canção com bioquímica
Mas quando é que se vai estudar o amor,
Pelo inebrio simples de amar?
Não é como se eu sempre mudasse
É que não me faz sentido ser porto
Se a vida é maré
Prefiro ir num barco apertado, de mastro torto
A lutar da beirada pra manter-me de pé
Eu vou é sendo levada
Não sei bem para onde (aqui? acolá?)
Não sei se há parada ou linha de chegada
Só sei mesmo é da fé
No que eu construí: meu imaginário
Então, sendo assim, ele existe, tem e é.
Quando acaba o nós
Fica o beijo não dado
E se o aperto não é de abraço
Na certa é o coração perturbado
Quando a gente vai embora
Ou quando a gente é deixado
E, finalmente, acabou chorare
Fica uma coisa vazia, em branco, ali, gritando
É a alma angustiada
Avisando: não restou mais nada.
O coração magnetiza tudo
O tempo, a fala o amor,
O azar, o erro, a dor
.
União dos pedaços de Deus
Fragmentados em anjo e profanos
De corpo em corpo: encontro e adeus.
Eu quero sempre o acalento
Eu quero sempre o relento
Eu recebo o verdadeiro, o forte,
Me reverbero em pensamento.
Sou gratidão, vida e morte.
Amém
Se fosse por mim
A vida seria só desencontro
Podem me acusar de ingrata, sim
Até hoje só tive um encontro feliz:
O que não aconteceu.
.
De tanto encontrar com a tristeza
Ela me fez
Estranha à mim mesma
De dia faço
Da minha solidão poesia
A noite passo
Em risos de bohemia
.
Escolho entre duas mesas:
A de amigos e a de falsa alegria
Nessa segunda,
Um Pedro, um Lucas e qualquer maria
É na primeira, minha maior companhia:
O Conhaque Santo!
Cura qualquer ferida
E me entrega à Orfeu
.
No outro dia, sem pranto
Nem a poesia presta.
A inspiração é como moça
Desiludida, tímida, desconfiada
Só aos grandes poetas dá a graça
.
No meu caso, a ganho na piada
E sempre tomo cuidado:
Ela some ao menor sinal de risada
Me deixa, a danada
Só e com essa dor engraçada
.
É dela que sai o poema
Primeiro o verbo e a crase,
Depois o verso e a frase
Então me vejo, perdida em fonema
Tentando rimar
.
Ah! Que destino infeliz!
Alegria nunca fez juz
À boa poesia
Aqui jaz, em semente, uma poetisa.
Causa mortis: se foi
Feliz.
Insone penso
Se gritar não é poético.
No meu AH alongado posso
Traduzir centenas, dezenas de milhares
Onomatometáforas
É no grito que a alma transborda(rá)
tic tac
Mama papa
tic tac
Por que? Por que?
tic tac
Ninguém entende
Cinema
tic tac
Beijo, te amo. tic tac Estudei.tic tac tic tac Passei. tic tac Vinte e cinco reais o motel. tic tac Beber sem brindar, sete anos sem dar. tic tac Pô,passa a bola. tic tac Vai tomar no seu…tic tac tic tac Alô, pai, mãe, bati o carro tic tac… tic… tac…
Aceito […]
tic
Até que a morte os separe
tac
tic tac tic tac tic
tac
tic
tac
t
i
c
t
a
…
No meio da noite
Bebi um copo de chumbo
Meu rim não deu conta
Agora o coração é só
Peso e aperto