Text 21 Apr Biosintaxe

Do tédio fiz poesia

Pra, do tempo, virar coenzima

Que bizarro misturar

Minha canção com bioquímica

Mas quando é que se vai estudar o amor,

Pelo inebrio simples de amar? 

Text 20 Apr Desatino

Não é como se eu sempre mudasse

É que não me faz sentido ser porto

Se a vida é maré

Prefiro ir num barco apertado, de mastro torto

A lutar da beirada pra manter-me de pé

Eu vou é sendo levada 

Não sei bem para onde (aqui? acolá?)

Não sei se há parada ou linha de chegada

Só sei mesmo é da fé

No que eu construí: meu imaginário

Então, sendo assim, ele existe, tem e é.

Text 30 Mar Acabou amare

Quando acaba o nós

Fica o beijo não dado

E se o aperto não é de abraço

Na certa é o coração perturbado

 

Quando a gente vai embora

Ou quando a gente é deixado

E, finalmente, acabou chorare

Fica uma coisa vazia, em branco, ali, gritando

É a alma angustiada

Avisando: não restou mais nada.

Text 18 Mar Afinidades

O coração magnetiza tudo

O tempo, a fala o amor,

O azar, o erro, a dor

.

União dos pedaços de Deus

Fragmentados em anjo e profanos

De corpo em corpo: encontro e adeus.

 

Eu quero sempre o acalento

Eu quero sempre o relento

Eu recebo o verdadeiro, o forte, 

Me reverbero em pensamento.

Sou gratidão, vida e morte.

Amém

Text 17 Mar Homenagem a um velho amigo

Se fosse por mim

A vida seria só desencontro

Podem me acusar de ingrata, sim

Até hoje só tive um encontro feliz:

O que não aconteceu.

.

De tanto encontrar com a tristeza

Ela me fez

Estranha à mim mesma

De dia faço 

Da minha solidão poesia

A noite passo

Em risos de bohemia

.

Escolho entre duas mesas:

A de amigos e a de falsa alegria

Nessa segunda,

Um Pedro, um Lucas e qualquer maria

É na primeira, minha maior companhia:

O Conhaque Santo!

Cura qualquer ferida

E me entrega à Orfeu

.

No outro dia, sem pranto

Nem a poesia presta.

Text 17 Mar A moça dos olhos do poeta

A inspiração é como moça

Desiludida, tímida, desconfiada

Só aos grandes poetas dá a graça

.

No meu caso, a ganho na piada

E sempre tomo cuidado:

Ela some ao menor sinal de risada

Me deixa, a danada

Só e com essa dor engraçada

.

É dela que sai o poema

Primeiro o verbo e a crase,

Depois o verso e a frase

Então me vejo, perdida em fonema

Tentando rimar

.

Ah! Que destino infeliz!

Alegria nunca fez juz 

À boa poesia

Text 17 Feb

Aqui jaz, em semente, uma poetisa.

Causa mortis: se foi

Feliz.

Text 17 Feb

Insone penso

Se gritar não é poético.

No meu AH alongado posso

Traduzir centenas, dezenas de milhares

Onomatometáforas

É no grito que a alma transborda(rá)

Text 3 Feb

tic tac

Mama papa

tic tac

Por que? Por que?

tic tac

Ninguém entende

Cinema

tic tac

Beijo, te amo. tic tac Estudei.tic tac tic tac Passei. tic tac Vinte e cinco reais o motel. tic tac Beber sem brindar, sete anos sem dar. tic tac Pô,passa a bola. tic tac Vai tomar no seu…tic tac tic tac Alô, pai, mãe, bati o carro tic tac… tic… tac…

Aceito […] 

tic

Até que a morte os separe

tac

tic tac tic tac tic 

tac

tic

tac

t

c

t

a

Text 30 Jan

No meio da noite

Bebi um copo de chumbo

Meu rim não deu conta

Agora o coração é só 

Peso e aperto


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